Ao som de uma valsa vienense, de frente para um belo e galante rapaz, transpassava o último cheiro de esperança da vida de muitos judeus. Era assim que as pessoas reagiam ao ver Josef Mengele. O efeito era ainda maior naquelas jovens mulheres, esperançosas de que uma bela história ainda esperava-as naquela vida que havia se tornado tão torturante no momento em que foram capturadas.
A história escrita por Gerald Astor narra a vida e a
morte de Josef Mengele, além de um panorama geral do nazismo. Desde a primeira
armada nazistas, a SA ou Os Camisas Pardas que eram abertamente
homossexuais, até a tomada do poder, o autor guia o leitor em uma história
triste e visceral.
Um estudante de medicina seduzido, como muitos
outros, pelo discurso nazista acabou se alistando em um dos grupos que apoiava
o regime. Mengele começou sua carreira militar nos Capacetes de Aço, onde passou 3 anos, para então partir para a AS, uma classe já decadente que acabou
causando certo desconforto tempos depois quando ele se alistou na SS, grupo que o levou ao seu patamar
máximo.
A leitura é bastante interessante e o
volume de história contido no começo da obra traz curiosidade. Depois do
panorama inicial sobre o nazismo, Gerald foca em Mengele e em sua história em
Auschwitz detalhando suas barbáries e sua “gentileza”. E, então, não tem como
parar de ler durante dezenas de páginas.
Com o poder nas mãos, Mengele tinha todas as
ferramentas para botar em prática toda sua maldade doentia. O tal rapaz ganhou
vários apelidos: Anjo da Morte, Anjo Exterminador, Doutor Morte e, até mesmo,
Açougueiro. Sua beleza e gentileza chegavam a provocar suspiros de moças que
sabiam de muitas das barbáries por ele cometidas.
Mengele era um dos muitos selecionadores, mas
parecia ser o único que sentia prazer em separar os que se tornariam escravos
dos que morreriam nas câmaras de gás, ou ainda aqueles
que usaria em seus experimentos “científicos”.
O autor nos revela muitas das experiências de
Mengele, por meio de relatos de médicos judeus que eram obrigados a trabalhar
para ele. Cada uma mais absurda que a outra, a busca da eugenia, fazia Mengele
testar anomalias nos humanos. Fixações próprias, como a que ele tinha com
gêmeos e prisioneiros em geral eram utilizados
em experimentos macabros e mortais. Torturas lentas, como injeção de algum
material nos corpos, ou mesmo torturas rápidas que faziam os prisioneiros se
mutilarem de pavor.
Felizmente o nazismo foi derrotado. Porém, Mengele e
muitos outros nazistas conseguiram fugir, não somente por méritos pessoais, mas
muito pelo descaso, ou pela vontade, por parte de pessoas importantes, de que
fugissem.
Gerald começa a contar como foram os
passos de Mengele na América do Sul. O livro adquire um tom mais especulativo,
utilizando sempre a história “mais confiável”. Essa parte do livro perde a
intensidade de história e se torna maçante. À exceção das últimas, a centena
final de páginas não é agradável.
Foi a Argentina que usou seu lema “União e Liberdade”
para se unir aos malfeitores e dar a liberdade para assassinos em massa. Perón
aguardava fascistas e nazistas de braços abertos. E lá, começou a vida de
Mengele na América do Sul. Ele ainda passaria por Uruguai e Paraguai antes de
chegar no Brasil. Aqui, na América do Sul, Mengele construiu uma nova vida. Sem
perder seu autoritarismo e sem sentir qualquer culpa, sempre escondendo seu
passado e ajudado com o descaso das autoridades, ele seguiu até morrer, aos 67
anos de idade.
A má vontade de quem deveria procurar pelo Anjo da
Morte agonia o leitor por muitos capítulos. E a agonia fica ainda maior por
saber que Mengele, O Último Nazista, morreu afogado por estar velho e já
bastante adoecido, num Brasil que fez jus a todas as críticas que a cultura
latina recebeu e também foi conivente com criminosos de guerra como Josef
Mengele.
Gerald Astor escreveu uma obra dura, que por vezes
chega a nos dar ódio, mas que deve receber a atenção de todos. Não
necessariamente pelo livro em si, mas a tudo ao que se refere e tudo o que
aconteceu naqueles anos obscuros do holocausto. Para que a história não seja
esquecida e, ainda mais importante, para que essa infeliz história jamais seja
revivida.
Livro: Mengele: O Último Nazista
Livro: Mengele: O Último Nazista
Autor: Gerald Astor
Editora: Planeta do Brasil
Páginas: 296
Gênero: Biografia

Excelente texto!
ResponderExcluirEStou lendo este livro, mas um pouco devagar. É tudo muito triste. As atrocidades cometidas deixam a gente murcha. As vezes parece inacreditável que alguém teve a coragem de cometer esta crueldade.
ResponderExcluir