segunda-feira, 4 de março de 2013

Mengele: O Último Nazista



Ao som de uma valsa vienense, de frente para um belo e galante rapaz, transpassava o último cheiro de esperança da vida de muitos judeus. Era assim que as pessoas reagiam ao ver Josef Mengele. O efeito era ainda maior naquelas jovens mulheres, esperançosas de que uma bela história ainda esperava-as naquela vida que havia se tornado tão torturante no momento em que foram capturadas.

A história escrita por Gerald Astor narra a vida e a morte de Josef Mengele, além de um panorama geral do nazismo. Desde a primeira armada nazistas, a SA ou Os Camisas Pardas que eram abertamente homossexuais, até a tomada do poder, o autor guia o leitor em uma história triste e visceral.

Um estudante de medicina seduzido, como muitos outros, pelo discurso nazista acabou se alistando em um dos grupos que apoiava o regime. Mengele começou sua carreira militar nos Capacetes de Aço, onde passou 3 anos, para então partir para a AS, uma classe já decadente que acabou causando certo desconforto tempos depois quando ele se alistou na SS, grupo que o levou ao seu patamar máximo.

A leitura é bastante interessante e o volume de história contido no começo da obra traz curiosidade. Depois do panorama inicial sobre o nazismo, Gerald foca em Mengele e em sua história em Auschwitz detalhando suas barbáries e sua “gentileza”. E, então, não tem como parar de ler durante dezenas de páginas.

Com o poder nas mãos, Mengele tinha todas as ferramentas para botar em prática toda sua maldade doentia. O tal rapaz ganhou vários apelidos: Anjo da Morte, Anjo Exterminador, Doutor Morte e, até mesmo, Açougueiro. Sua beleza e gentileza chegavam a provocar suspiros de moças que sabiam de muitas das barbáries por ele cometidas.

Mengele era um dos muitos selecionadores, mas parecia ser o único que sentia prazer em separar os que se tornariam escravos dos que morreriam nas câmaras de gás, ou ainda aqueles que usaria em seus experimentos “científicos”.

O autor nos revela muitas das experiências de Mengele, por meio de relatos de médicos judeus que eram obrigados a trabalhar para ele. Cada uma mais absurda que a outra, a busca da eugenia, fazia Mengele testar anomalias nos humanos. Fixações próprias, como a que ele tinha com gêmeos e prisioneiros em geral eram utilizados em experimentos macabros e mortais. Torturas lentas, como injeção de algum material nos corpos, ou mesmo torturas rápidas que faziam os prisioneiros se mutilarem de pavor.

Felizmente o nazismo foi derrotado. Porém, Mengele e muitos outros nazistas conseguiram fugir, não somente por méritos pessoais, mas muito pelo descaso, ou pela vontade, por parte de pessoas importantes, de que fugissem.

Gerald começa a contar como foram os passos de Mengele na América do Sul. O livro adquire um tom mais especulativo, utilizando sempre a história “mais confiável”. Essa parte do livro perde a intensidade de história e se torna maçante. À exceção das últimas, a centena final de páginas não é agradável.

Foi a Argentina que usou seu lema “União e Liberdade” para se unir aos malfeitores e dar a liberdade para assassinos em massa. Perón aguardava fascistas e nazistas de braços abertos. E lá, começou a vida de Mengele na América do Sul. Ele ainda passaria por Uruguai e Paraguai antes de chegar no Brasil. Aqui, na América do Sul, Mengele construiu uma nova vida. Sem perder seu autoritarismo e sem sentir qualquer culpa, sempre escondendo seu passado e ajudado com o descaso das autoridades, ele seguiu até morrer, aos 67 anos de idade.

A má vontade de quem deveria procurar pelo Anjo da Morte agonia o leitor por muitos capítulos. E a agonia fica ainda maior por saber que Mengele, O Último Nazista, morreu afogado por estar velho e já bastante adoecido, num Brasil que fez jus a todas as críticas que a cultura latina recebeu e também foi conivente com criminosos de guerra como Josef Mengele.

Gerald Astor escreveu uma obra dura, que por vezes chega a nos dar ódio, mas que deve receber a atenção de todos. Não necessariamente pelo livro em si, mas a tudo ao que se refere e tudo o que aconteceu naqueles anos obscuros do holocausto. Para que a história não seja esquecida e, ainda mais importante, para que essa infeliz história jamais seja revivida. 

         Livro: Mengele: O Último Nazista
           Autor: Gerald Astor
           Editora: Planeta do Brasil
           Páginas: 296
           Gênero: Biografia

2 comentários:

  1. EStou lendo este livro, mas um pouco devagar. É tudo muito triste. As atrocidades cometidas deixam a gente murcha. As vezes parece inacreditável que alguém teve a coragem de cometer esta crueldade.

    ResponderExcluir