quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A Sombra do Vento


“Um livro é um espelho e só podemos encontrar nele o que carregamos dentro de nós”. Essa é uma das frases mais marcantes do fenômeno editorial que consagrou o espanhol Carlos Ruiz Zafón como uma das maiores revelações literárias em 2001. A obra é uma raridade por ter sido acolhida com enorme entusiasmo pelo público e pela crítica ao mesmo tempo. A Sombra do Vento ultrapassou a marca de 6.5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, com tradução para onze idiomas. 

O romance ambientando na Barcelona da metade do século XX combina gêneros como romance, aventura, drama e um pouco do gótico de Edgar Allan Poe. Uma obra sedutora que mistura prosa, ora poética, ora irônica, e que se tornou um verdadeiro triunfo da arte de contar histórias em meio à profusão de títulos lançados a cada ano no mercado editorial.
     
A narrativa começa numa madrugada de 1945, quando Daniel Sempere, um menino de 11 anos, é levado pelo pai, dono de um famoso sebo da cidade, a um misterioso lugar no centro histórico de Barcelona: O Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar, pouco conhecido pelos moradores, é uma biblioteca secreta e cheia de labirintos que funciona como depósito de obras abandonas, à espera de alguém que as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de A Sombra do Vento, livro que mudará o rumo de sua vida e o levará para um caminho de aventuras repleto de segredos e intrigas na alma da cidade. A busca pelo autor do livro que o fascina transformará Daniel em homem ao iniciá-lo no mundo do amor, do sexo e da literatura.
    
É a procura de Daniel que marca sua transformação de menino em homem e que desperta no leitor um fascínio renovado pelos livros. O desejo é abrir as portas do Cemitério dos Livros Esquecidos e descobrir os infindáveis corredores repletos de obras que também poderiam mudar nossas vidas. No cenário grandioso de Barcelona, com sua atmosfera espectral de largas avenidas e casarões abandonados é que conhecemos os personagens coadjuvantes que acompanharão Daniel em suas investigações.
     
Os personagens secundários são muito bem construídos pelo autor ao longo da narrativa. São descritos com uma riqueza de detalhes impressionante, assim como Barcelona, e esse conjunto cria uma reflexão sobre o poder da cultura, da política, do cotidiano e da tragédia do esquecimento. Zafón é brilhante na mistura entre lugares reais e fictícios da cidade e logo eles se tornam queridos e apreciados pelo leitor.
     
O romance de Carlos Ruiz Zafón é uma obra comovente, sedutora e extremamente sensível, que prende a atenção do leitor com uma história de amor e sentimentos. É o primeiro da trilogia seguida por O jogo do anjo e O prisioneiro do céu (que ainda não li). Além de ser uma grandiosa homenagem ao poder dos livros, também é uma alegoria de amizade que muitos leitores mantêm com as bibliotecas e as obras em si. O livro de Zafón foi escrito para ficar entre os nossos favoritos.

             Livro: A Sombra do Vento
             Autor: Carlos Ruiz Zafón
             Editora: Suma de letras
             Páginas: 400
             Gênero: Literatura estrangeira/ Romance

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Morte Súbita

 
A estreia de J.K Rowling na literatura para adultos, com Morte Súbita, foi sucesso de vendas no Reino Unido em 2012 e lançado no Brasil em dezembro do mesmo ano. The casual vacancy, no original em inglês, deverá ser transformado em série da BBC em 2014.  A autora britânica é uma das minhas favoritas (sou fã de Harry Potter, é claro) e o livro, que foi o mais esperado do ano, trouxe enormes expectativas. Foi minha primeira leitura de 2013.  

O romance é sobre moralidade e mortalidade, assim como Harry Potter, só que contemporâneo. É um drama ao estilo do século XIX, com a tentativa de fazer uma versão com temais atuais. As questões sociais, como drogas, marginalidade, religião e desejos adolescentes, são relevantes em qualquer lugar. Os conflitos conjugais e familiares são o foco principal da obra, que vai revelando uma trama cheia de intrigas, ambivalência e segredos.

A história começa com a morte inesperada de Barry Fairbrother, um vereador local de 44 anos. É a partir de sua morte que a cidadezinha imaginária de Pagford fica em estado de choque. O cargo deixado vago torna-se um ponto de disputa e inflexão entre os moradores, que começam a se mobilizar para encontrar um substituto favorável às causas de cada um.

Morte Súbita é uma tragédia cômica, repleta de humor negro, que toca em temas universais. Retrata ironicamente a família média burguesa, fazendo uma crítica sobre as desigualdades e preconceitos da sociedade. Entretanto, apesar das diversas personalidades encontradas ao longo da narrativa, a história dá a impressão de ficar sempre no mesmo lugar. É somente no finalzinho que alguma coisa, de fato, acontece.

Confesso que fiquei um pouco desapontada com a história. O que encontrei foram personagens extremamente caricatos, com histórias entrelaçadas, mas que não foram aprofundados. Na verdade, isso me incomodou bastante. Fechei o livro com a impressão de que eu não conheci nenhum deles. Sabe aqueles livros que passam e não te marcam em nada? Pois é. O livro foi sucesso de vendas em outros países, mas, e se não fosse da J.K, venderia tanto? Não sei.

            Livro: Morte Súbita
            Autora: J.K Rowling
            Editora: Nova Fronteira
            Páginas: 504
            Gênero: Literatura estrangeira/ Ficção contemporânea

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Poderoso Chefão


consigliere informando a Don Corleone da criação d'O Marca Página
Este é o meu primeiro texto. E o primeiro texto a gente nunca esquece. Como eu acho que deveria começar em grande estilo, nada melhor que a grande história de Don Vito Corleone. Comecei a ler o livro por ter me esquecido de outro livro - A menina que brincava com fogo, do Stieg Larsson - na casa da Paola. Sorte a minha. Também pela namorada, mas me refiro aqui ao padrinho Corleone.

Um capítulo de mais de 60 páginas dá um susto no leitor, logo na primeira investida, mas os capítulos conseguintes são, na grande maioria, de pouquíssimas páginas, de forma que, com o ritmo alucinante que a obra cria, quando um de vinte páginas aparece, acaba sendo devorado como se tivesse apenas duas.

O livro é um pouco grande, mas as 468 páginas, bem recheadas e com letras miúdas, têm uma intensidade de leitura que tornam essa obra gigante e deliciosa. Corleone, ao olhar um apadrinhado e analisá-lo minuciosamente, parece o épico detetive inglês Sherlock Holmes (do qual sou um grande fã). Diria que Don Corleone é a definição – com o perdão do trocadilho – literária de “Badass”. O que mais impressiona na obra é a naturalidade com que as coisas funcionam na máfia. Tudo são negócios. Mesmo a morte de um ente querido pode ser tratada como uma mera manobra de interesses. E a morte é encarada como comum. Esses dois pontos – os negócios e a morte – se encontram na fala de um personagem que a certa altura diz “Diga a Mike que isso era apenas negócio, sempre gostei dele”. 

A história é recheada de ação e dá uma noção diferente de justiça ao não tratar mafiosos como bandidos, mas sim como governantes do seu próprio mundo, homens fortes e incapazes de aceitar as leis impostas pelo país. É tão cativante ler a vida de um homem que, do zero, se tornou um dos homens mais respeitados e poderosos dos EUA, que a máfia chega a se tornar poética. A imagem do mafioso que anda armado e xinga todo mundo enquanto se droga é jogada no lixo pela classe e educação de um homem que nunca levanta o tom de voz e trata todos como se fosse um amigo de infância.

Mario Puzo cria muito mais do que grandes personagens, ele cria respeito e faz o leitor notar que mesmo o mais insignificante ser pode ser útil. Se até mesmo um homem do poder de Vito Corleone é capaz – e sagaz – de tratar todos com educação. Quem somos nós para destratar qualquer pessoa?

Bom, esse é o meu argumento e, assim como o Padrinho, quero ouvir os seus comentários a respeito da nossa proposta.  

Livro: O Poderoso Chefão
Autor: Mario Puzo
Editora: Record
ginas: 468
Gênero: Literatura estrangeira/ Ficção policial
 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Razão de ser

O Marca Página nasceu de uma vontade de escrever sobre livros, que é uma paixão bem antiga. E que tem tudo a ver com os cursos que fazemos agora: Jornalismo (Paola) e Publicidade e Propaganda (Ângelo). Pensamos que criar um blog literário em dupla fosse meio complicado, mas aceitamos o desafio. Afinal de contas, por que não?

Ângelo
Meu primeiro amor foi a escrita, um hobby que virou profissão. Desde então, procuro motivos para escrever, e achei vários deles na literatura. Isso me provocou e as conversas rotineiras sobre livros se tornaram planos.
Agora, meu desejo é construir um blog com a magia da escrita e, principalmente, dos livros. E, com pequenos textos de grandes histórias, construir uma relação e transmitir todos os bons sentimentos tirados dos livros para os leitores deste blog.

Paola
Espero poder, finalmente, escrever sobre a coisa que mais gosto no mundo: ler. Desde que me conheço por gente não fiquei um dia sem ter um livro em mãos. Minhas leituras passam por todos os estilos e não vou me prender a nenhum deles. Espero poder escrever (bem) sobre todas eles.
Fica aqui o desejo de transmitir esse amor que eu tenho pelos livros, que faz parte de quem eu sou, e que eles possam levar vocês a lugares maravilhosos, assim como me levaram (e continuam levando).


Considerações práticas:

Nosso principal objetivo é fazer resenhas curtinhas (ou não) sobre os livros que estamos lendo, ou que lemos em algum momento. Esperamos contar com comentários e críticas de vocês. E claro, se quiserem sugerir livros, é só mandar um e-mail para blogmarcapagina@gmail.com que providenciaremos a leitura – se é que já não lemos.

Mais do que um blog de resenhas literárias, o Marca Página surgiu como um lugar de compartilhamento de ideias e cultura. Queremos colocar no papel (!) as conversas e impressões que fazemos diariamente. No mais, fica a expectativa de uma boa leitura. Esperamos que gostem.


Com amor,

Ângelo e Paola.