terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Poderoso Chefão


consigliere informando a Don Corleone da criação d'O Marca Página
Este é o meu primeiro texto. E o primeiro texto a gente nunca esquece. Como eu acho que deveria começar em grande estilo, nada melhor que a grande história de Don Vito Corleone. Comecei a ler o livro por ter me esquecido de outro livro - A menina que brincava com fogo, do Stieg Larsson - na casa da Paola. Sorte a minha. Também pela namorada, mas me refiro aqui ao padrinho Corleone.

Um capítulo de mais de 60 páginas dá um susto no leitor, logo na primeira investida, mas os capítulos conseguintes são, na grande maioria, de pouquíssimas páginas, de forma que, com o ritmo alucinante que a obra cria, quando um de vinte páginas aparece, acaba sendo devorado como se tivesse apenas duas.

O livro é um pouco grande, mas as 468 páginas, bem recheadas e com letras miúdas, têm uma intensidade de leitura que tornam essa obra gigante e deliciosa. Corleone, ao olhar um apadrinhado e analisá-lo minuciosamente, parece o épico detetive inglês Sherlock Holmes (do qual sou um grande fã). Diria que Don Corleone é a definição – com o perdão do trocadilho – literária de “Badass”. O que mais impressiona na obra é a naturalidade com que as coisas funcionam na máfia. Tudo são negócios. Mesmo a morte de um ente querido pode ser tratada como uma mera manobra de interesses. E a morte é encarada como comum. Esses dois pontos – os negócios e a morte – se encontram na fala de um personagem que a certa altura diz “Diga a Mike que isso era apenas negócio, sempre gostei dele”. 

A história é recheada de ação e dá uma noção diferente de justiça ao não tratar mafiosos como bandidos, mas sim como governantes do seu próprio mundo, homens fortes e incapazes de aceitar as leis impostas pelo país. É tão cativante ler a vida de um homem que, do zero, se tornou um dos homens mais respeitados e poderosos dos EUA, que a máfia chega a se tornar poética. A imagem do mafioso que anda armado e xinga todo mundo enquanto se droga é jogada no lixo pela classe e educação de um homem que nunca levanta o tom de voz e trata todos como se fosse um amigo de infância.

Mario Puzo cria muito mais do que grandes personagens, ele cria respeito e faz o leitor notar que mesmo o mais insignificante ser pode ser útil. Se até mesmo um homem do poder de Vito Corleone é capaz – e sagaz – de tratar todos com educação. Quem somos nós para destratar qualquer pessoa?

Bom, esse é o meu argumento e, assim como o Padrinho, quero ouvir os seus comentários a respeito da nossa proposta.  

Livro: O Poderoso Chefão
Autor: Mario Puzo
Editora: Record
ginas: 468
Gênero: Literatura estrangeira/ Ficção policial
 

2 comentários:

  1. Amei o post!!! Fiquei morrendo de vontade de ler o livro depois do argumento do Sr. Ângelo Augusto...kkk

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  2. Já vi o filme nem sei quantas vezes, pois é envolvente demais. Mesmo sendo sobre a máfia siciliana, simpatizo muito com D. corleone e sua família. Sabe aqueles tios e padrinhos queridos? é o próprio. Em algumas situações, a gente até torce para que os mafiosos que são contra a família sejam mortos. Agora vou ler o livro, que deve ser ainda mais recheado que o filme.

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