sexta-feira, 8 de março de 2013

A Sangue Frio


Livro obrigatório para jornalistas e aspirantes à profissão, A Sangue Frio foi publicado em 1966 e conta uma história brutal: o assassinato de uma família na cidade de Holcomb, no interior do Estado do Kansas, Estados Unidos. Originalmente publicado em 4 capítulos, durante o ano de 1965,  na revista americana The New Yorker, o livro é considerado a obra-prima do New Journalism – gênero jornalístico que surgiu na imprensa dos EUA na década de 1960 e que mistura a narrativa jornalística com a literária.

Para escrever o livro, Truman Capote fez uma extensa pesquisa, que durou cerca de cinco anos, isso mesmo, cinco anos de entrevistas, consultas em documentos oficiais, diários, cartas e muita observação. Tudo isso resultou em mais de oito mil páginas de anotações, além das entrevistas com os assassinos Richard Hickock e Perry Smith.

Essa forma de fazer jornalismo, embora possa ser lido como ficção, não é ficção. Deveria, teoricamente, ser tão verídico como uma reportagem, mas consente que o escritor seja mais imaginativo e até mesmo se intrometa no texto. O que Capote faz bastante. Tudo começou quando, depois de ler uma pequena nota sobre os assassinatos no The New York Times, Capote resolveu que aquilo daria uma boa história. E lá se foi para a pequena cidade, chegando um mês depois, com a população ainda em choque.

Truman Capote consagrou-se com a obra, que virou filme em 2005 e ganhou até um Oscar. Além dessa versão mais recente, outras já tinham sido feitas. No livro, ele conta desde a idéia inicial do crime, o passado dos assassinos e suas execuções. 

O livro começa com a história das vítimas em seu último dia de vida: 15 de novembro de 1959. Herb Clutter, de 48 anos, respeitado fazendeiro. Bonnie Clutter, sua esposa, que sofria de "problemas psicológicos". Os dois filhos adolescentes, Kenyon e Nancy.

O crime abalou a pacata cidade de apenas 270 habitantes e fez com que ela ficasse muito famosa, cheia de jornalistas, autoridades, polícia e claro, curiosos. A polícia passou a procurar incansavelmente os criminosos, que haviam levado da casa apenas um rádio, um par de binóculos e 40 dólares.

Capote descreve minuciosamente a reação dos moradores da cidade, a investigação policial e os passos dos criminosos durante a fuga, assim como a história pregressa dos assassinos. Poucos meses depois do crime, Richard Hickock e Perry Smith são presos. Condenados à morte, somente em 14 de abril de 1965 eles são executados.

Truman Capote prende o leitor de uma forma feroz. A família Clutter e até mesmo Hickcok e Smith parecem tão próximos, que é como se os conhecêssemos de longa data. Mas é depois de umas 100 e tantas páginas que ele começa a contar o que se passou naquele dia. O ritmo é tão penetrante que eu fiquei neurótica: cheguei a sonhar que estava “investigando” os assassinatos, tão grande era minha curiosidade.

O crime é descrito tão minuciosamente que a impressão é de que o próprio Capote estava na casa naquele momento. E, também, no carro durante a fuga. Na verdade, é como se ele estivesse sempre em todos os lugares, observando tudo. Houve um rumor, que é contado no epílogo do livro, de que ele teria se envolvido amorosamente com Perry Smith, e que por isso não tinha conseguido assistir à sua execução. No desenrolar das investigações e do julgamento, duas versões são contadas por Rick e por Smith. Um dos assassinos ganhou minha simpatia e eu escolhi a versão dele para acreditar. Mas será que o rumor era verdadeiro? Capote nunca confirmou.

A Sangue Frio é impactante, de uma excelente escrita, numa narrativa que leva o leitor para dentro da história. É de arrepiar. E é, de fato, tão real que choca, incomoda, não nos deixa parar de pensar no crime, nas motivações dos assassinos.

É um livro que mexe com as emoções, com a realidade, com nossa capacidade de lidar com a crueldade, frieza e loucura humana. Um livro que ninguém pode deixar de ler.

         Livro: A Sangue Frio
         Autor: Truman Capote
         Editora: Companhia das Letras
         Páginas: 440
         Gênero: Não-ficção/ Literatura estrangeira/ Jornalismo

Um comentário:

  1. É uma obra prima. Um livro que a gente começa e não quer parar até chegar a última página. Capote escreve de uma maneira que conseguimos até simpatizar com os assassinos. É uma leitura obrigatória.

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