sexta-feira, 12 de abril de 2013

O Médico e o Monstro


 

Hoje falo sobre três histórias contidas no livro O Médico e o Monstro. A primeira, e mais surpreendente, é a do escritor. A segunda é a de um médico respeitado e com um grande círculo de amizades. A última, e mais obscura, trata-se de um homem sem princípios, rude, arrogante e agressivo, um monstro.

Robert Louis Stevenson, escocês de Edimburgo, é o protagonista da primeira história. Ele viveu uma vida de aventuras, tanto de navio como a bordo de suas obras. Desde sua infância teve os dias contados: uma tuberculose crônica condenava o escritor a poucos anos de vida. Buscando climas que amenizassem suas crises, ele dava lugar ao viajante sem jamais parar de escrever. Nessas idas e vindas da vida, Stevenson, escreveu A Ilha do Tesouro e conquistou sucesso no mundo todo. Ainda em um desses nuances de saúde do escritor, mais precisamente durante um sonho, entre hemorragias e convulsões pulmonares, a novela O Médico e o Monstro foi concebida.

O sucesso que já havia sido conquistado, desta vez foi consolidado. Em 1888, comprou um barco e levou sua família em um cruzeiro para o Pacífico Sul, sua saúde estava muito debilitada. Na Oceania, ilha de Upolu, Stevenson encontrou o clima perfeito para sua saúde e lá ainda viveu por mais alguns anos, vindo a morrer em 1894 e por uma ironia do destino, com hemorragia cerebral. Parece que a morte encontrou neste homem um médico que domou seu próprio monstro e foi capaz de deixá-lo viver o suficiente para deixar uma herança para a eternidade. 

O Médico e o Monstro é uma obra bastante pequena em páginas e enorme em conteúdo. Uma crítica à sociedade inglesa da época, que vivia a hipocrisia do ser humano unicamente bom. Um livro leve e sucinto que foge da imagem de que um clássico tem que ser um calhamaço de 600 páginas. Esse pode tranquilamente ser lido em dois ou três dias. 

A segunda história envolve um médico chamado Dr. Jekyll, conhecido na Londres da época, se tornou respeito por lecionar na universidade e fazer grandes pesquisas, o que na verdade era seu foco principal e, numa dessas, ele se viu num beco, como aqueles de Londres, bem escuro e com um ar sombrio e o pior de tudo: sem saída.

A terceira e mais sombria história é a de Mr. Hyde, um homem sem princípios e sem passado que parece ter alguma relação de amizade (ou de chantagem?) com o médico e começa a ser investigado depois do caso em que, ao trombar com uma menina em uma esquina, pisoteia-a, causando repulsa na vizinhança. 

O livro é narrado em torno de Mr. Utterson, um advogado que se vê na necessidade de ajudar seu amigo, o médico Dr. Jekyll. Ao saber do caso, por uma testemunha, seu amigo Mr. Enfield, em que um homem trombou com uma criança e, ao vê-la caída pelo choque, pisoteou-a com um prazer demoníaco, se viu com uma vontade imensurável de fazer justiça. 

O advogado começa a se inquietar com o ocorrido e com a descrição do homem que foi capaz de cometer a barbárie e o pior, parecia que Dr. Jekyll, seu amigo de anos, protegia o rapaz e suas atitudes. Ninguém sabia definir bem o rapaz, apenas diziam que era mal encarado e suas maneiras causavam repulsa.

A investigação era inevitável, Utterson não podia ver seu amigo vítima de um chantagista mau caráter que poderia difamar o nome de Jekyll e os sinais da preocupação do médico eram visíveis, ele não mais saía de casa.

A história é conhecida por todos. Afinal, estamos falando de um dos maiores clássicos da literatura. Os dramas vividos pelo médico, pelo advogado e por todos à sua volta constroem uma leitura empolgante e um mistério envolvente. Tudo isso, com uma metáfora que é válida até os dias de hoje: “Há um monstro dentro de nós? O que distingue o bem e o mal?”.

          Livro: O Médico e o Monstro
          Autor: R. L. Stevenson
          Editora: Ática
          Páginas: 96
          Gênero: Literatura Internacional/Novela

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