Hoje falo sobre três histórias contidas no livro O Médico e o Monstro. A primeira, e mais
surpreendente, é a do escritor. A segunda é a de um médico respeitado e com um
grande círculo de amizades. A última, e mais obscura, trata-se de um homem sem
princípios, rude, arrogante e agressivo, um monstro.
Robert Louis Stevenson, escocês de Edimburgo, é o
protagonista da primeira história. Ele viveu uma vida de aventuras, tanto de
navio como a bordo de suas obras. Desde sua infância teve os dias contados: uma
tuberculose crônica condenava o escritor a poucos anos de vida. Buscando climas
que amenizassem suas crises, ele dava lugar ao viajante sem jamais parar de
escrever. Nessas idas e vindas da vida, Stevenson, escreveu A Ilha do Tesouro e
conquistou sucesso no mundo todo. Ainda em um desses nuances de saúde do
escritor, mais precisamente durante um sonho, entre hemorragias e convulsões
pulmonares, a novela O Médico e o Monstro
foi concebida.
O sucesso que já havia sido conquistado, desta vez foi
consolidado. Em 1888, comprou um barco e levou sua família em um cruzeiro para
o Pacífico Sul, sua saúde estava muito debilitada. Na Oceania, ilha de Upolu,
Stevenson encontrou o clima perfeito para sua saúde e lá ainda viveu por mais
alguns anos, vindo a morrer em 1894 e por uma ironia do destino, com hemorragia
cerebral. Parece que a morte encontrou neste homem um médico que domou seu
próprio monstro e foi capaz de deixá-lo viver o suficiente para deixar uma
herança para a eternidade.
O Médico e o Monstro é uma obra bastante pequena em páginas e enorme em conteúdo.
Uma crítica à sociedade inglesa da época, que vivia a hipocrisia do ser humano
unicamente bom. Um livro leve e sucinto que foge da imagem de que um clássico
tem que ser um calhamaço de 600 páginas. Esse pode tranquilamente ser lido em
dois ou três dias.
A segunda história envolve um médico chamado Dr. Jekyll,
conhecido na Londres da época, se tornou respeito por lecionar na universidade
e fazer grandes pesquisas, o que na verdade era seu foco principal e, numa
dessas, ele se viu num beco, como aqueles de Londres, bem escuro e com um ar
sombrio e o pior de tudo: sem saída.
A terceira e mais sombria história é a de Mr. Hyde, um homem
sem princípios e sem passado que parece ter alguma relação de amizade (ou de
chantagem?) com o médico e começa a ser investigado depois do caso em que, ao
trombar com uma menina em uma esquina, pisoteia-a, causando repulsa na
vizinhança.
O livro é narrado em torno de Mr. Utterson, um advogado que
se vê na necessidade de ajudar seu amigo, o médico Dr. Jekyll. Ao saber do
caso, por uma testemunha, seu amigo Mr. Enfield, em que um homem trombou com uma
criança e, ao vê-la caída pelo choque, pisoteou-a com um prazer demoníaco, se
viu com uma vontade imensurável de fazer justiça.
O
advogado começa a se inquietar com o ocorrido e com a descrição do homem que
foi capaz de cometer a barbárie e o pior, parecia que Dr. Jekyll, seu amigo de
anos, protegia o rapaz e suas atitudes. Ninguém sabia definir bem o rapaz,
apenas diziam que era mal encarado e suas maneiras causavam repulsa.
A
investigação era inevitável, Utterson não podia ver seu amigo vítima de um
chantagista mau caráter que poderia difamar o nome de Jekyll e os sinais da
preocupação do médico eram visíveis, ele não mais saía de casa.
A
história é conhecida por todos. Afinal, estamos falando de um dos maiores
clássicos da literatura. Os dramas vividos pelo médico, pelo advogado e por
todos à sua volta constroem uma leitura empolgante e um mistério envolvente.
Tudo isso, com uma metáfora que é válida até os dias de hoje: “Há um monstro
dentro de nós? O que distingue o bem e o mal?”.
Livro: O Médico e o Monstro
Autor: R. L. Stevenson
Editora: Ática
Páginas: 96
Gênero: Literatura Internacional/Novela

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